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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

JOSÉ GERALDO PIRES DE MELLO
( BRASIL - RIO DE JANEIRO ) 

 

SONETOS DE BOLSO: antología poética / Jarbas Junior e João Carlos Taveira organizadores.   Brasília: Thesaurus, 2013.  200 p.  No. 10 943
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda

 

TRILOGIA DO TEMPO E DO AMOR

   A YEDA NÍCIA
NO SEU ANIVERSÁRIO


I - O TEMPO QUE PASSA

Co´o passado e o presente eu me deparo
E, perante esses polos da existência,
De cada qual medindo a forma e a essência
Cuido que confrontado é que os encaro.


Examino as razões da pertinência
De tal confronto — com ou sem sentido —
E eis que me ocorre não tomar partido,
Firmado na isenção e na coerência.

Bem sei que muita gente tem vivido
A louvar um e outro, afoitamente,
Mas eis os quanto eu tenho concluído:

Nenhum dos dois vale por si — declaro.
Virtudes e defeitos, certamente,
Ambos têm, do vulgar ao muito raro.


II BOA SORTE

Perante opostos, eis-me aqui sem Norte,
Sem saber se o que é novo ou que é antigo
Eu devo cultivar e dar abrigo
—  No abismo do meu ser — e dar suporte.

Perante opostos, nesta vida eu sigo,
Sem perceber se ante eles me sustento
— Inda pelo mais frágil argumento —
Pois de ambos desligar-me não consigo.

Que o novo é bom, só porque é novo, eu tento
Mas não logro entender e, em minha trilha,
Co´o que antigo, às vezes, me contento.

E declaro, num lúcido transporte,
Que, no passado, como um facho, brilha
Teu velho Amor, que é minha Boa Sorte!


III - INDECISÃO

Não sei agora o que dizer-te, amiga,
Nesta mensagem plena de ternura
E bem banal até se me afigura
Trazer-te aqui a nossa história antiga.

Dir-te-ei então... E surgem, de mistura,
Mil sugestões que envolvem meu anseio
E quando as analiso, me arreceio
Ante escolher qual seja a mais segura.

No que supus banal, encontro o esteio
Do que a ti me conduz, no alto louvor
De que estes versos servem de correio

Muitas razões encaro... Uma me obriga
A te dizer deste meu velho amor,
Mas já não sei a forma por que o diga...


ÚNICA IMAGEM

Eu hoje dei por mim pensando em ti...
Pensando em ti despreocupadamente,
Co´o pensamento vago, reverente,
Que pela vida vai, pleno de si...

Pensando em ti... Quando isso eu percebi,
Percebi que só tenho hoje presente
Tua imagem, que, enfim, é permanente,
Neste plano em que vivo e em que vivi...

Neste plano de que não faço ausente
A glória de encontrar constantemente
Tua lembrança que jamais perdi...

Neste plano em que, alegre, descobri
Que sem querer, despreocupadamente,
Eu hoje dei por mim pensando em ti...


CENA DOMÉSTICA

 Na sala de jantar, na tarde mansa,
Está toda a família reunida:
No mister de bordar, em doca lida,
Minha mulher do seu labor descansa.

As linhas do bordado quem destrança
É a nossa menina mais crescida;
As outras duas, uma à outra lança,
Rente ao chão, uma bola colorida.

Numa poltrona o nosso filho lê;
Histórias em quadrinhos, já se vê,
Pelas quais o seu gosto se revela.

Eu escrevo da mesa à cabeceira;
Meu curió “Barão”, posto à janela,
Completa a cena e canta a tarde inteira...


PLENILÚNIO
A JORGE MEIRELES RODRIGUES

Tarde fresca de maio... Morre o dia...
No horizonte sem termo, rubro e ardente,
O Sol se esconde e a noite, lentamente,
Cai sobre a terra e aos poucos se irradia...

Fim de tarde... Quietude... Nostalgia...
As estrelas despertam docemente,
E libertas da luz que as escondi,
Enchem o céu, do Leste ao Ocidente...

Na meia-luz do ângelus, a Lua
Desponta no horizonte, e se insinua
Entre as estrelas, de que se rodeia...

Do dia sorve a treva o último trago
E surge refletida a Lua Cheia
Na face tranquilíssima do lago...


POENTE

Luz vacilante, luz mortiças e fria,
Pobres cintilações do Sol poente,
Que em sua trajetória decadente,
Se esvai, envolto em sombras e agonia...

Soam mensagens vagas... Certamente,
Essas vozes distantes, desoladas,
Companheiras de velhas caminhadas,
Povoam meu passado e meu presente...

A lua declina... Estrelas apagadas...
A névoa espessa me atormenta, e acena
Co´a imagem de esperanças malogradas...

Amanhã há de ser um outro dia...
Sinto um vazio... A noite é quase plena...
Desconsolo... Incerteza... Nostalgia...


PLENILÚNIO DE ABRIL    

A tarde chega ao fim...O Sol, cansado
De luzir, se despede...  No poente,
A luzir recua aos poucos... Lentamente,
Surge a treva no céu denso e nublado...

Por tudo vibra a paz e silente
Que esse austero crepúsculo irradia...
Numa tristeza mórbida e sombria,
Um sino etéreo bate, gravemente...

Andam por tudo uns tons de nostalgia,
Uma tristeza plácida e dolente,
E aos compassos de um réquiem, morre o dia...                            
As árvores imóveis... O ar parado...
A Lua Cheia surge no Oriente,
 


E estende sobre a noite o seu reinado...  



ANTIGO 

Vai longe a meia-noite... Lentamente,
O tempo esvai-se... Em seu incerto traço,
Pressinto densas brumas, ao compasso
De um vazio que se ergue à minha frente...

Vagando, vai o tempo e o mesmo eu faço...
Vadio é o pensamento... A cada instante,
Encontro a tua imagem, num distante
Passado. E te acompanho, passo a passo...

Renovo-me nesta aura irradiante
Que vem de ti, desta aura em que componho
Minha ventura sólida e constante...

E minha trilha de há muito eu sigo,
Humildemente em tuas mãos deponho,
Em versos novos, meu amor antigo...


NUMA NOITE FANTÁSTICA

Numa noite fantástica de Lenda,
De Mistério, de Sonho, de Ventura,
Eu me perdi pela celeste Altura,
Sem presumir meus passos nessa senda!

Vi a razão vencida na contenda
Que travou co´o delírio... Na aventura,
Passei por mil galáxias, na ternura
De um mundo mago que me desvenda...

Minha fascinação pelo Infinito
Dita meus rumos... Entre louco e aflito,
Sinto uma ânsia brutal! Como contê-la?

Pela Amplidão desfilam nebulosas
E ante as divagações mais fabulosas,
Eu beijo a mão de Deus em cada estrela!

 

*
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Página publicada em dezembro de 2025.


 

 

 
 
 
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